• patriciapatriota

1 ano SEM compras

Como boa amante de desafios, resolver ficar 1 ano sem fazer compras me pareceu bem factível, embora esteja ciente de que não será um processo simples, principalmente porque mexerá com hábitos de uma vida.


1 ano sem comprar o quê?

O desafio o qual me propus não se limita a roupas, bolsas, sapatos e maquiagem - além daquela lista interminável de coisas que adotei como "necessárias e essenciais". Isto seria fácil, principalmente levando em consideração que, como uma boa consumista, tenho estoque suficiente para me "segurar" durante este período.


Após a pandemia da Covid19, reduzir as compras parece, inclusive, mais fácil. Ok, isto se encaixa melhor para quem não é fascinado também, pelo click rápido e certeiro na Amazon, por exemplo. Mas, voltando às limitações que esta fase nos impõe, não ir à restaurantes se torna menos tentador (especialmente se você mora em Los Angeles, novo epicentro da pandemia nos EUA) e nos desafia para que a presença na cozinha seja cada vez maior, combinada com altas doses de criatividade.


Quem não tem o hábito de repor shampoo, desodorante, creme dental e afins, antes mesmo que se esgote a sua última gota em casa? Isso inclui aqueles recipientes tamanho viagem escondidos no armário (e que geram tanto lixo). A sensação de que isto é só para garantir que não seremos pegos de surpresa pode ser substituída pelo novo hábito do "planejamento". E é com esta ideia de que posso me planejar e gerenciar da melhor forma este período, que me sinto cada dia mais animada com o desafio para este novo ano, e que com certeza não passarei apuros.


Como seres únicos, com necessidades distintas, acredito que cada um de nós possui metas personalizadas e bem particulares. O que para uma pessoa só funciona com regras rígidas, para outras pode-se ter mais fluidez e adaptações ao longo do processo.


E porque esta decisão?


Sempre fui grande admiradora de movimentos que buscam respostas ou justificativas para anseios definidos.


Neste caso, ficar 1 ano sem comprar o que não seja estritamente necessário dentro dos temas alimentação, higiene pessoal e remédios (e claro, emergências como caso quebre um cano em casa que precise ser substituído), vem da minha vontade de aprender cada vez vez sobre práticas sustentáveis que me façam consumir menos recursos materiais do que preciso e consequentemente, gerar menos impacto ao meio ambiente.


Nesta fase de reflexão algumas coisas super simples me fazem brilhar os olhos, como terminar uma caneta. Você já conseguiu usar uma caneta até o fim? Caso afirmativo, parabéns. Eu arriscaria dizer que minha justificativa é que sempre me senti muito livre para carregar uma caneta comigo todo o tempo, afinal, há tantas que podem ser revezadas, não é? É para quem tem esta chance, mas muitos não tem nenhuma caneta... outros encaram isto de forma mais responsável.


Com o objetivo de usar ao máximo os recursos que possuo e assim gerar menos desperdício e lixo, resolvi que quero, ainda, aprender a fazer muitos itens (de forma mais natural e caseira), ao invés de apenas valorizar o que tem uma embalagem e marca que, nem sempre, se preocupam tanto conosco e com o meio ambiente.


Em contrapartida, economizar dinheiro será um benefício adicional e que fará uma grande diferença, tenho certeza.


Minhas regras de forma mais detalhada:

- Comida e o essencial para a vida são permitidos, mas só podem ser comprados quando tudo o mais acabar. Um tempo atrás aprendi a fazer geléias caseiras e outras coisas que sempre adorei. Agora, pretendo testar outras novas receitas e, assim, essas compras serão ainda mais reduzidas e menos lixo será gerado

- Roupas, sapatos, bolsas e maquiagem estão fora de cogitação

- Aquele HD extra que sempre acho que preciso, saiu da lista até que eu me dedique a fazer uma faxina nos meus arquivos digitais e liberar espaço nos dispositivos, que tenho e que com certeza, me farão ver que são mais que o suficiente

- Livros também estão fora da lista de compras. Ainda tenho vários que sempre digo que não li por falta de tempo. Pois bem, acabou a desculpa.

- E se eu ganhar vale-presente? Ficarei feliz e até tenho metas para isto: desejo revertê-los em plantas

- E como farei para presentear quem amo? Já tenho uma lista do que posso fazer com minhas próprias mãos e imaginação, e isto inclui, inclusive, playlists especiais e personalizadas

- E por fim, o meu amor já sabe que eu não gostaria de ser presenteada por ele com os itens que estão fora da minha lista do que não comprar.


Após escrever as minhas regras e refletir sobre como fazer isto, foi libertador. Constatei o que já sabia, mas não fazia de fato, que era ter atitudes que mudassem de fato o meu padrão de consumo. Por isto é importante que cada um crie o seu porquê, suas metas e regras e isto exige reflexão e planejamento.


Olhei todos os meus armários e gavetas e confirmei que há excessos; algumas coisas não serão mais compradas por muito tempo por aqui. Aproveitei e fiz uma lista do que em breve realmente precisará ser comprado e esses itens agora serão alvo de um novo hábito que adquiri e estou adorando: fazer eu mesma. Os próximos desafios serão a pasta de dentes e o desodorante. Neste caso, precisarei comprar os ingredientes para fazê-la, mas em compensação, evitarei trazer mais lixo para casa com cada embalagem comprada constantemente. Será interessante este teste, especialmente por eu gostar de produtos de qualidade, isto é: precisarei descobrir fórmulas que realmente me façam sentir satisfeita e feliz.


O primeiro passo foi dado: refleti, planejei, defini metas e regras, agora viverei a experiência proposta, no dia-a-dia. Estou preparada para o desafio e sei que errarei e acertarei durante o processo. Estou consciente do que me fez chegar aqui e tenho certeza de que será um período de muita evolução pessoal.


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